Especialistas explicam como a Educação financeira é fundamental para a economia do Brasil

A educação financeira pode e deve ser estimulada de modo divertido e natural desde a infância, estimulando a criatividade e a autonomia

O endividamento das famílias brasileiras é um problema grave que, além de impactar todo o ciclo da economia, repercute na perda de qualidade de vida, depressão, baixa estima e até mesmo reforça a violência doméstica, especialmente no caso das mulheres. No dia dedicado às crianças, o Jornal Correio ouviu especialistas em educação financeira sobre a importância de ensinar as crianças, desde cedo, a lidar de forma positiva e lúdica com o dinheiro, desenvolvendo uma cultura empreendedora e, consequentemente, ajudando na construção de uma sociedade mais equilibrada.

Vale lembrar que a educação financeira ganhou obrigatoriedade nas escolas esse ano e que a iniciativa diz respeito ao cumprimento das metas 04 e 05 dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas. 
A especialista em gestão financeira Raquel Santos lembra que a educação financeira consiste em mostrar os conceitos e os produtos financeiros que existem para que, com base nessas informações, cada pessoa possa tomar as suas decisões com o dinheiro de forma mais assertiva. “Para mim, educação financeira é você conscientizar sobre a importância do dinheiro e criar a cultura de que ele é apenas um meio de acesso à cultura, educação, alimentação, saúde e diversão. Gosto de dizer que o dinheiro é apenas um meio de transformação e de segurança”, diz.

Criadora de um aplicativo para ensinar educação financeira à jovens e crianças, a financista e empreendedora Marília Reis acredita que a educação financeira precisa estar integrada à educação doméstica como um todo, envolvendo toda a família, com muita naturalidade e ludicidade. “O foco da educação financeira precisa estar voltada para a autonomia da criança, de um poder de decisão e escolha muito bem trabalhado”, afirma. 

Criadora de um aplicativo para ensinar finanças para crianças, Marília Reis destaca como atitudes cotidianas podem ajudar as crianças a desenvolverem uma relação mais positiva com dinheiro (foto: Arquivo Pessoal)

Educação de berço

Para Marília, atitudes simples como incluir a criança na construção do orçamento familiar, estimular que ela faça escolha, apresentar situações onde haja a necessidade de tomada de decisões são caminhos possíveis para ensinar a lidar com o dinheiro.

Raquel Santos completa salientando a importância de mostrar como o dinheiro chega no cartão, carteira, bolsa dos pais, ressaltando o fato de que ele não vem de uma fonte mágica e inesgotável. “Eu lembro que os meus pais me ensinaram sobre finanças na prática: quando com 8 anos, eu levava pano de prato bordado para vender para as professoras na escola. Eu entregava o pano e elas me davam o dinheiro e lembro de ter pensado: ‘ah, então é assim’”, conta. A especialista reforça que é importante explicar sobre o trabalho, sobre a troca do tempo por dinheiro e ir mostrando de forma gradativa, respeitando a idade, como é que os pais fazem para ter dinheiro.

Raquel cita o exemplo da sobrinha de uma amiga que, aos 9 anos começou a fazer bolsas de crochê. “É óbvio que ela não precisa se sustentar com o que ganha, mas já entendeu que, com o dinheiro recebido, poderá comprar algo muito desejado em breve”, sugere, lembrando que essa iniciativa ensinará princípios como cobrança, atendimento ao cliente, controle da produção, personalização de cada bolsa.

Raquel Santos chama atenção para a importância do exemplo familiar na educação financeira e na quebra de modelos onde a relação com o dinheiro é associada ao mal (foto: Divulgação)

 “Cultura empreendedora é uma das principais características de países desenvolvidos e com bons indicadores econômicos. Empreender reside em buscar soluções para os problemas da sociedade de forma sustentável e rentável”, afirma Marília, lembrando que é importante de estimular desde cedo a curiosidade e a criatividade na criança, tirando ela da zona de conforto, mostrando realidades fora da rotina e pedindo respostas criativas para os desafios. A financista lembra que premiar ideias criativas e colocar em prática também são bons estímulos. 

Raquel Santos lembra que o exemplo familiar também é muito importante para essas crianças, pois ajudam a quebrar modelos culturais da sociedade que insiste em associar dinheiro  aos aspectos negativos e mostrar que ele é uma ferramenta. “Nossa cultura financeira é baseada no imediatismo e na ansiedade, então temos que quebrar esse paradigma e parar de romantizar as dificuldades financeiras que as famílias brasileiras vivem historicamente”, finaliza, salientando a importância de estimular o planejamento e a economia. 

Jogos associados ao ensino de matemática também oferecem conceitos importantes de educação financeira. Confira alguns:
1- Sumoo
2 – Sudoku
3 – Tindin
4 – Minhas Economias (minhaseconomias.com.br)