Senador avalia que saída de Ronaldo Caiado do União Brasil fortalece a oposição, amplia negociações estaduais e pode isolar o PT nas eleições de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista à CNN, que a futura chapa presidencial do Partido Liberal deverá contar com um vice indicado pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A avaliação ocorre após a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil para se filiar ao PSD, movimento que, segundo o parlamentar, amplia o campo de alianças da oposição e pressiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração de Flávio é feita em um momento em que novas pesquisas nacionais indicam rearranjos no campo da direita. Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, publicado pela revista Veja, mostra que o próprio Flávio Bolsonaro já supera o ex-presidente Jair Bolsonaro nas intenções de voto entre eleitores bolsonaristas, na modalidade de pesquisa espontânea — quando não é apresentada lista de nomes.
Segundo o estudo, Flávio aparece com 12,1% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro registra 6,3%. O presidente Lula lidera este cenário com 25,5%, embora, segundo a publicação, com vantagem menos confortável diante de seus principais adversários. Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral e foi condenado por abuso de poder político e ataques ao sistema eleitoral, também é citado na pesquisa como estando preso em Brasília por tentativa de golpe de Estado.
Ainda de acordo com o levantamento, Jair Bolsonaro fica atrás, inclusive, dos eleitores que declararam voto branco ou nulo. O maior contingente, porém, é formado por entrevistados que afirmaram não saber em quem votar ou preferiram não responder, somando mais de 44% do eleitorado.
A pesquisa ouviu 2.080 eleitores em 160 municípios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026. O grau de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08254/2026.
Para Flávio Bolsonaro, a federação União Progressista reúne as condições ideais para a composição da chapa, por contar com capilaridade nacional, governadores bem avaliados e quadros competitivos para o Congresso, especialmente no Nordeste. “Eles possuem capilaridade em todo o Brasil, governadores bem avaliados, bons candidatos ao Senado e à Câmara, principalmente no Nordeste, e bons quadros para compor nossa chapa na vice-presidência”, afirmou.
O senador relatou que manteve conversas com Caiado antes da mudança de partido e defendeu a legitimidade da pré-candidatura do governador. Na sua avaliação, a chegada de Caiado ao PSD não representa isolamento político, mas sim uma soma de forças da oposição.
Para o PL, o fato de o PSD lançar candidato próprio à Presidência reabre negociações estaduais, já que palanques regionais passam a ter compromisso formal com uma candidatura nacional. Flávio avalia que o movimento tende a enfraquecer alianças do PT em alguns estados e obrigar o partido do presidente a buscar alternativas de última hora.
Em entrevista à CNN, Ronaldo Caiado afirmou que deixou o União Brasil para viabilizar um projeto nacional que enfrentava resistências internas e disse que o PSD oferece estrutura e presença nacional para sustentar uma candidatura competitiva. A definição do nome que disputará o Planalto pela legenda deve ocorrer em abril.
Além de Caiado, o governador do Paraná, Ratinho Jr., também é citado como pré-candidato e declarou que o PSD abriga mais de um nome competitivo, com a escolha sendo definida por diálogo interno e construção de um projeto nacional.