FUVEST 2026: Prova reforça mudança de perfil e Filadd aponta tendência de maior interpretação na 2ª fase

Maior curso pré-vestibular em crescimento no Brasil avalia que a 1ª fase trouxe forte interdisciplinaridade, menos decoreba e mais leitura crítica

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) aplicou neste domingo (23) a prova da 1ª fase do vestibular 2026, confirmando a tendência de prova mais interpretativa, com questões longas, integração entre áreas e menor peso em cálculos extensos. O exame, composto por 90 questões de múltipla escolha, manteve o padrão de alta exigência, mas apresentou uma distribuição mais equilibrada entre conteúdos tradicionais e temas contemporâneos.

A abstenção ficou abaixo dos 10% e o gabarito oficial foi divulgado poucas horas após a aplicação. Para Bruno Ferrari, coordenador pedagógico da Filadd, o vestibular reafirma um movimento que se intensificou após o ENEM 2025: “A prova da Fuvest deste ano marcou claramente um movimento crescente de aproximação em relação ao ENEM e à proposta da BNCC (a Base Nacional Comum Curricular). As questões do vestibular da USP não perdem sua identidade: seguem trazendo camadas complexas de interpretação, cálculos também complexos (questões com diversos núcleos de cálculo para que se chegue ao resultado) e problemas de pesquisa científica, mais elaborados, exigindo do estudante maturidade no domínio conceitual e no repertório de questões. Contudo, avançando mais um passo na direção do ENEM, a prova da Fuvest deste ano traz questões mais interdisciplinares (aquelas que abordam mais de uma disciplina no seu núcleo central), e exigindo que o estudante mobilize de forma mais equilibrada habilidades e conhecimentos para resolver os problemas (o conceito de competência, já claro no ENEM desde suas primeiras aplicações), para além, puramente, do conhecimento aplicado. É isto o que significa dizer que as questões da prova estão mais interpretativas e (um pouco) menos conteudistas”.

Bruno reforça que a continuidade entre os grandes vestibulares (ENEM, Fuvest e Unicamp) tem sido determinante para o desempenho dos alunos: “o aluno que aproveita o pós-ENEM analisando a prova de forma organizada, prioriza na revisão os temas de maior relevância de acordo com o seu padrão individual de erros e acertos, e amadurece seu repertório de questões com estratégia chega na Fuvest melhor preparado. Este padrão de convergência vem se destacando nas últimas 5 aplicações de ambos os exames. A Fuvest, como o segundo maior exame de acesso à universidade do país, ficando apenas atrás do ENEM em número de inscritos, marca uma tendência que pode se estender a outros vestibulares no país. As tendências se comunicam. Não são provas desconectadas”.

De forma geral, os professores da Filadd apontam que Linguagens, Biologia e Matemática foram as áreas mais interpretativas. Linguagens reforçou leitura crítica, múltiplas linguagens e forte presença das obras literárias obrigatórias.

“A prova de Linguagens valorizou leitura crítica e interdisciplinaridade, integrando literatura, artes, filosofia e temas sociais. A Fuvest se aproxima cada vez mais da BNCC, priorizando interpretação, repertório cultural e análise discursiva. O candidato precisa relacionar saberes e reconhecer múltiplas semioses. É uma prova que exige maturidade de leitura”, afirma Antonio Pires, professor de Linguagens na Filadd.

Biologia veio mais acessível, com alta recorrência de temas clássicos e muitas questões baseadas em habilidades de interpretação textual. “Biologia estava mais fácil do que no ano passado. Caiu biotecnologia, ecologia, evolução e zoologia, que são conteúdos recorrentes. O volume de textos surpreendeu: muitas questões podiam ser resolvidas só com interpretação. E várias previsões das nossas lives se confirmaram, como o lobo-terrível e temas de imunologia. A prova foi bem escrita e menos conteudista”, afirma Rafael Lomazi, professor de Biologia na Filadd.

Matemática priorizou interpretação de gráficos, funções e modelagem de situações reais. “A banca focou na interpretação de gráficos, funções e em situações reais. Pouca conta, muita análise. Foi uma prova de nível médio, coerente com a linha atual da Fuvest”, comenta Alberto Moreira, professor de Matemática na Filadd.

Química apresentou nível médio, conteúdos bem distribuídos e surpreendeu pela ausência de química orgânica. “A prova foi bem distribuída, nível médio, exigindo pré-requisitos conceituais básicos. Nada muito complexo. A ausência de química orgânica chamou atenção. Houve questões interpretativas e uma de espectrometria de massas muito interessante, além de interdisciplinaridade com Biologia envolvendo polaridade. Os tópicos clássicos como termoquímica, atomística, ligações, equilíbrio e soluções, apareceram equilibrados”, explica Daniel Trindade, professor de Química na Filadd.

Física mudou de perfil e deixou de cobrar temas tradicionais, como eletrodinâmica, magnetismo e ótica. “A prova está mais interdisciplinar e menos conteudista, mas o que chamou atenção foi a ausência total de eletrodinâmica, magnetismo e ótica, que sempre caem. Esses temas devem vir muito fortes na 2ª fase. Também senti falta de leis de Newton e da dinâmica do movimento circular. É uma mudança clara no perfil da banca”, avalia Eduardo Leite, professor de Física na Filadd.

A análise dos especialistas da Filadd indica que a Fuvest 2026 consolida uma mudança de perfil, em direção a uma avaliação mais interpretativa, integrada e alinhada às demandas atuais do ensino superior. A tendência deve se intensificar na segunda fase, reforçando a importância de leitura aprofundada, repertório e domínio conceitual aplicado. Para os estudantes, o foco agora é revisar os temas de primeira importância, treinar de forma organizada e orientada a resolução de questões discursivas e se preparar para uma etapa ainda mais analítica.
 

Sobre a Filadd

A Filadd, o curso pré-vestibular que mais cresce no Brasil, é também a maior comunidade estudantil da América Latina, presente em diversos países e com mais de 3 milhões de estudantes orientados. Chegou ao Brasil em 2021 com a missão de democratizar o acesso à educação de qualidade e orientar os estudantes de forma personalizada, de acordo com as necessidades e o estilo de aprendizagem de cada um. A edtech combina tecnologia de ponta, inteligência artificial e acompanhamento humano contínuo para oferecer uma preparação completa e individual para o ENEM e vestibulares. Como dizem os próprios alunos: o curso online mais presencial do Brasil. Reconhecida por aprovações em universidades de prestígio, como USP, UERJ, UFSC, UFOP e UERN, a Filadd se consolidou como um dos cursinhos mais robustos e modernos do país, apoiando estudantes em todas as etapas de sua preparação. 

By Notícias Alagoas

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