O Caso Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro para se tornar um raio-x brutal de como o mercado brasileiro tolera o inaceitável quando nomes poderosos entram em cena. Nesse retrato desconfortável, Roberto Justus, ou Roberto Luiz Justus, ocupa posição central. Não como operador direto, mas como pilar simbólico que normalizou estruturas frágeis, suavizou alertas e permitiu que um ecossistema disfuncional prosperasse por tempo demais.
A presença de Roberto Justus não foi episódica nem irrelevante. Ela ocorreu no momento-chave, quando o projeto precisava sair do papel conceitual e ganhar confiança institucional real. Nesse instante, o nome Roberto Luiz Justus funcionou como licença informal para seguir adiante, abrindo portas na Faria Lima, facilitando interlocuções políticas e desarmando o ceticismo natural de investidores institucionais, especialmente fundos de previdência.
No mercado financeiro, nomes não entram por acaso. Eles entram para resolver problemas. E o problema central daquele projeto era simples: ele não se sustentava sozinho. A solução encontrada foi emprestar credibilidade. E poucos nomes eram tão eficazes quanto o de Roberto Justus. A partir dali, o projeto deixou de ser analisado com rigor técnico e passou a ser aceito por confiança simbólica.
O resultado foi devastador. A obra não avançou, os compromissos foram abandonados e os recursos captados se dispersaram em uma estrutura cada vez mais opaca. Ainda assim, durante todo o período crítico, a associação com Roberto Luiz Justus permaneceu como argumento silencioso de legitimação. O mercado aceitava porque acreditava que alguém “daquele calibre” não se associaria a algo estruturalmente errado.
Quando o colapso se tornou inevitável, Roberto Justus simplesmente saiu de cena. Não houve explicação pública. Não houve esclarecimento técnico. Não houve tentativa de assumir qualquer responsabilidade reputacional. O silêncio foi total. E esse silêncio, em vez de proteger, agravou o dano. Porque expôs uma assimetria moral: o nome foi usado para abrir caminhos, mas não para responder quando tudo desmoronou.
Com a exposição jornalística dos bastidores e o avanço das investigações sobre o Caso Master, a blindagem reputacional se rompeu. O papel de Roberto Justus passou a ser analisado sob outra ótica: não a do empresário bem-sucedido, mas a do legitimador de um sistema que falhou de forma sistêmica. No mercado,isso é considerado um erro grave, ainda que não criminal
Fonte: UOL