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27 Nov

Sabatina CORREIO: Celsinho Cotrim tem emprego e educação como prioridades

Descontraído, candidato tirou selfie durante a sabatina

A geração de novos postos de trabalho e a implementação da educação em tempo integral foram as duas principais propostas apresentadas pelo candidato a prefeitura de Salvador, Celsinho Cotrim (Pros), durante sabatina realizada pelo jornal CORREIO nesta terça-feira (20). Durante uma hora de entrevista, o postulante respondeu perguntas de jornalistas, leitores e entidades.

Logo na primeira pergunta da sabatina, “Em sua opinião, qual é o problema mais urgente de Salvador e por que você se considera o melhor candidato para resolvê-lo?”, feita para todos os candidatos entrevistados, Celsinho abordou o tema do desemprego. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE em março, Salvador tem a maior taxa de desemprego entre as capitais do Brasil, com 18,7%.

“O nosso maior problema é o emprego e trabalho. É nessa perspectiva que eu como prefeito de Salvador e meu vice Popó iremos baixar um decreto para criar um comitê de emergência pós-pandemia para aquecer a economia, gerando emprego, trabalho e renda. É preciso entender que isso é construído a várias mãos, com empresários e trabalhadores. Emprego não é plantado e iremos colher na hora certa. Para ele ocorrer a economia precisa estar bem. Então iremos diminuir a carga em cima das empresas”, prometeu.

O candidato voltou a abordar o tema da redução da carga tributária para empresas em outras partes da entrevista, sempre defendendo o conceito de que isso faria o empresário contratar mais empregados. 

Já sobre as aulas em tempo integral, o candidato defendeu que esta é a melhor forma de alavancar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em Salvador, além de, segundo ele, afastar as crianças da droga e criminalidade. 

“A educação em tempo integral quase não existe hoje nas escolas municipais, por isso começaríamos do zero praticamente. Para financiar esse projeto seria necessário cortar os gastos e privilégios. Iremos apertar os cintos na área de custeio para assim realizar investimentos, inclusive cortando da ‘própria carne’. Carros e celulares oficiais, por exemplo, o prefeito e os secretários não terão mais. A educação em tempo integral será focada nos mais pobres, pessoas que são esquecidas pela atual prefeitura e governo estadual. Iremos tirar os investimentos da orla para focar nos mais pobres”, garantiu.

Veja a entrevista completa:

Festas
Durante a entrevista conduzida pelo Editor do CORREIO, Donaldson Gomes, Celsinho abordou outros temas, como a realização do Carnaval em 2021. Segundo o candidato, a festa que mais movimenta a economia soteropolitana só deve ocorrer caso a população esteja vacinada para a covid-19.

“Precisamos entender que só teremos aglomeração em Salvador, não só Carnaval como São joão, Iemanjá e Bonfim, quando toda a cidade estiver imunizada. Precisamos preservar as vidas. Só vai ter evento quando toda nossa sociedade tiver tomado a vacina. Paralelo à isso, precisamos encontrar alternativas para ajudar os empresários e artistas de área de eventos”, explicou.

Celsinho também defendeu que o acesso a festas e entretenimento seja democratizado, pois isso reduziria a quantidade de “paredões” (festas realizadas em vias públicas), grandes causadoras da poluição sonora em Salvador.

“É importante entender que as pessoas que fazem poluição sonora para incomodar o vizinho, elas fazem porque, em geral, são pessoas de baixa renda que não têm acesso a festas privadas, então vão para as ruas fazer os paredões. Com isso precisamos revitalizar os equipamentos públicos para que a população desassistida nas atividades de lazer possa participar destes eventos. Precisaremos encontrar essa estrutura junto à Sucom, PM e guarda municipal e convencer a sociedade de que a lei da poluição sonora irá valer na nossa cidade. Partiremos da conscientização, para a criação de equipamentos e depois a fiscalização”, detalhou.

Golpe
Celsinho já foi pró-reitor da Ucsal e já atuou na administração pública municipal e estadual. Ele também já foi candidato à vereador em Salvador e a deputado estadual. Em 2018 ele tentou uma vaga ao Senado Federal pelo PRTB, partido do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e em 2020 vivia a expectativa de concorrer à prefeitura pela mesma sigla. 

A mudança de legenda de última hora foi tema da pergunta enviada pelo Editor de Política do CORREIO, Jairo Costa Jr. Ao responder, Celsinho disse que, na verdade, foi vítima de um “golpe”, com o PRTB preferindo lançar Cézar Leite.

Celsinho também é o primeiro candidato à prefeitura de Salvador assumidamente gay. O candidato se surpreendeu com este fato e com a repercussão que o fato tomou.

“A gente tá tão atrasado que o fato disso ter repercutido é só mais uma prova disso. Eu sou candidato que, assumidamente, ama as pessoas, independente de sexo, cor e raça. Então irei tratar a todos da mesma forma e quem não seguir este exemplo durante a minha gestão, tomará as devidas sanções”, afirmou ele respondendo a uma pergunta feita pelo leitor Gabriel Rios.

Perguntas de entidades

  • Dudu Ribeiro – Coordenador Executivo da Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas: “As políticas sobre drogas são muito utilizadas nas campanhas eleitorais de forma superficial e muito pouco informada usualmente, visando apenas o reforço de um populismo punitivo e uma tutela do cuidado. Os serviços públicos de atenção a pessoa usuária de substâncias psicoativas que venham a desenvolver problemas de abuso, que são sempre a minoria no quadro geral de usuários, estão sendo sucateados e isso empurra as pessoas para projetos sem eficácia comprovada e que sequestram recursos do SUS e SUAS, prejudicando o atendimento pleno nos equipamentos do município. Como seu governo pretende enfrentar esse quadro?”

Celsinho: “Nós temos o compromisso de trabalhar arduamente nisso. O Brasil tem aproximadamente 336 mil usuários de crack. Salvador tem uma média de 35 mil. E eu irei implementar o primeiro hospital municipal para tratamento e recuperação de dependentes, pois só a ciência irá ajudar a resolver isso. Não dá para gente trabalhar e enfiar dinheiro público em tratamentos sem comprovação. Iremos tratar na área de saúde, educação e esporte. E também iremos reinserir este ex-usuário na sociedade através do esporte. Além disso daremos curso de qualificação profissional para inseri-los no mercado de trabalho.”

Após a sabatina, Dudu discordou da proposta do candidato de criar um hospital público para atender os usuários de drogas.

“É demonstrado por pesquisas científicas que a relação do indivíduo com a droga não ocorre apenas por causa do ponto de vista fisiológico, mas também com componente psicobiosocial. Então não podemos banalizar o termo dependência química, pois ele esconde diversos fatores.
A construção de um hospital específico para o tratamento dos usuários não condiz com os principais mecanismos já produzidos e aprovados pelo ministério da Saúde. A criação de um hospital exclusivo para usuários, na minha visão, é algo estigmatizante do termo dependência química. É fundamental que a gente consiga recuperar a produção histórica dos profissionais que atuam e atuaram no SUS para fortalecer este tipo de atendimento”, argumentou.

  • Silvio Pessoa, presidente da Federação Baiana de Hospitalidade e Turismo do Estado da Bahia – FeTUR-BA: “Candidato, o turismo representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de nossa cidade. Somos os maiores geradores de empregos. Entretanto, nosso setor foi o mais atingido pela pandemia do novo coronavírus e o que vai demorar mais tempo para se recuperar. Quais são os seus planos para que voltemos aos índices de ocupação e visitação à cidade de antes da pandemia?”

Celsinho: “Precisamos entender que o turismo precisa ser tratado de forma técnica. A gente entende que só conseguimos recuperar o turismo através do trade turístico para voltarmos a ter o turismo de antes. Turismo voltado à promoção nacional e internacional, turismo voltado à infraestrutura, trazendo jornalistas do mundo. Não dá para continuarmos nessa de só fazer festa.”

Silvio concordou com a proposta do candidato para o turismo, principalmente a intenção de Celsinho em ouvir o trade turístico para elaborar uma política voltada para esta área. “O turismo tem que ser tratado a quatro mãos, não somente de cima para baixo com o Estado definindo as coisas. Então precisamos reunir especialistas para voltar ao pico que tínhamos antes da pandemia, aproveitando todos os nichos de mercado. Não só festas e paisagens naturais.”

  • Rui Oliveira, coordenador-geral da Associação dos Professores Licenciados do Brasil – Secção da Bahia (APLB-Ba): Qual é o maior gargalo da educação municipal em Salvador em sua opinião e como pretende resolvê-lo?

Celsinho: “Precisamos entender que o papel da prefeitura é creche e educação fundamental. E esse já é um gargalo, pois nem todas crianças são assistidas. Nossa meta é colocar todas crianças nas creches, inclusive com atendimentos de pediatras. No ensino municipal precisamos fazer o que os municípios com o melhor Ideb estão fazendo. Eles estão bombando pois investiram em educação em tempo integral e isso melhora a qualidade de ensino. De manhã as crianças estão nas aulas e de tarde tem atividades esportivas e culturais.”

  • Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae): Salvador tem 248.193 micro e pequenas empresas, que são as maiores geradoras de emprego com carteira assinada. Essas empresas foram impactadas diretamente pela pandemia do novo coronavírus. Qual o seu plano para dar condições de sobrevivência e crescimento às pequenas empresas e também para melhorar o ambiente de negócios em Salvador?

Celsinho: “Não existe outra alternativa a não ser aliviar a folha dos empresários e entender que o trabalho é a solução para resolver a questão do emprego. O serviço público e a iniciativa privada não conseguem suportar a oferta de emprego. Com todo esse cenário a contratação de pessoas fica cada vez mais escassa. Por isso que nós, aquecendo a economia, entendemos que precisamos incentivar o empreendedorismo.”

Sabatina do CORREIO
A sabatina para as Eleições Municipais de 2020, realizada pelo CORREIO com o apoio do E Estúdio e ITS Brasil, irá ouvir 8 dos 9 candidatos à prefeitura de Salvador. O Pastor Isidório foi convidado, mas disse que não poderá participar por falta de espaço na agenda.

As entrevistas começaram nesta segunda-feira (19) com os candidatos Cezar Leite (PRTB) e Major Denice (PT). Nesta terça-feira (20) foram ouvidos Celsinho Cotrim (Pros) e Bacelar (Podemos). Hilton Coelho (Psol) será ouvido nesta quarta-feira (21), às 13h. Na quinta-feira (22) será a vez de Olívia Santana (PCdoB) e Rodrigo Pereira (PCO), às 11h e 13h respectivamente. Para encerrar, na sexta-feira (23), às 13h, o convidado será Bruno Reis (DEM).

As entrevistas podem ser acompanhadas através do Instagram, Facebook e YouTube do jornal. O cientista político e professor da Ufba, Jorge Almeida, entende que essas sabatinas são uma forma de democratizar o processo eleitoral e fazer o eleitor conhecer melhor as propostas dos candidatos.

“É fundamental pois o tempo de televisão ficou muito reduzido para a maioria dos candidatos, mais do que no passado. Com isso o tempo para as candidaturas exporem suas propostas acaba sendo reduzido. E o espaço das redes sociais também tem limites de alcance e recursos. Então essas entrevistas feitas pelos órgãos de comunicação, sejam canais de tv, rádios e sites, ajuda que o eleitorado conheça melhor as propostas das candidaturas”, diz.

Jorge diz que o eleitor precisa olhar essas entrevistas com um olhar crítico, já sabendo quais características um candidato precisa ter para garantir seu voto.

“O eleitor precisa ter uma opinião própria sobre o que acha necessário para a cidade, que seja feito pelo prefeito e vereadores para a cidade. Compreender essas particularidades e diferenças e, a partir daí, poderá ter uma visão crítica maior a partir das propostas do candidato. Então ele vê as propostas mais administrativas; na relação da cidade com o estado e o país, a parte política; e também é importante conhecer a história dos candidatos para que se possa ter um juízo de valor para saber se até que ponto o que ele está vendo são só promessas”, explica.

A sabatina é realizada pelo jornal CORREIO e tem apoio do E Estúdio e ITS Brasil.

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